Guerra das Terapeutas

Fazer terapia é excelente para toda e qualquer pessoa. Todo ser humano deveria experimentar a sensação de ter alguém disposto e capacitado para ouvir os seus problemas, te colocar como centro das atenções do momento e tentar, de alguma forma, te ajudar a solucioná-los.


Para isso existem diversas linhas em que o psicólogo ou o terapeuta pode seguir. Entre as mais conhecidas podemos citar a Psicanálise, a Terapia Cognitiva Comportamental, o Psicodrama e o Guestalt.


A Psicanálise... ah, a psicanálise! Seja qual for a linha que se segue, Freud, Jung ou Lacan, você é o centro do universo. O terapeuta vai tentar extrair de você, o mais íntimo do seu "eu", através do que você levar nas sessões, através da análise comportamental ou até mesmo por meio dos seus sonhos. A culpa da maioria dos problemas, me perdoem os profissionais da área, é a coitada da mãe. A partir dessa análise profunda, a terapeuta vai te levar a descobrir seus medos, defeitos, dogmas, e conviver com isso de forma que você seja capaz de se colocar no mundo, impor limites aos que te cercam e se tornar um ser humano bem resolvido com você mesmo, ainda que isso afete pessoas ao seu redor.


Já na TCC (Terapia Cognitiva Comportamental), no Psicodrama e no Guestalt, o terapeuta vai trabalhar pontos bem específicos com você: um trauma, dificuldades em relacionamentos, dificuldades em começar e/ou terminar projetos, tudo bem pontuado com a intervenção direta do profissional. Nessas linhas, novamente temos o trabalho árdua do seu "eu" sendo colocado de forma correta no mundo e na vida dos que te cercam.


Maravilha, adorei! Quando começo? Preciso muito de ajuda para me conhecer melhor, trabalhar meu "eu" e o colocá-lo no mundo. Sei que não é tão simples e, na maioria das vezes o paciente pula de um pólo ao outro repentinamente, até conseguir chegar ao equilíbrio esperado.


E enquanto isso? Enquanto isso, quem está mais próximo tem que entender e ajudar.


Tudo parece perfeito, se não tivesse um ponto fraco que deu origem ao artigo: A família fazendo terapia! Meu Deus, que guerra!


Você começa suas sessões, linda e loira, e sua terapeuta te diz que você é muito além do que uma mãe, esposa e dona de casa; você é alguém que precisa se amar, ter um tempo somente para você, se cuidar, abrir mão um pouco das tarefas domésticas que te desgastam... Você precisa olhar mais para você e para as coisas que te fazem bem.


Legal, gostei disso! Você sai da consulta pronta para chegar em casa e dizer ao marido que precisa de uma empregada e ao filho que ele precisa se virar melhor sozinho.


Mas, você chega em casa e recebe um WhatsApp da psicóloga do seu filho marcando uma reunião com você. Você vai...


Chega na reunião, toma uma senhora lavada, dizendo que seu filho precisa de mais atenção sua. Você precisa revisar seu dia e encaixar mais horários com ele, afinal, você é mãe, não é? "Mas meu dia está lotado, não sei como achar mais horários... Estou estressada e deprimida", você diz. "Bem, como e o que você vai fazer eu não sei, mas... se vira!", diz a terapeuta. "Ah, e outra coisa. Sob nenhuma hipótese você pode descontar seu estresse e frustração sobre ele. Faça seu papel de mãe direito!".


Caramba, e essa agora? A minha terapeuta diz que me estresse vem por estar fazendo muitos papéis e que preciso de mais espaço, mais tempo para mim mesma e agora a psicóloga do meu filho diz que estou dando pouco para ele e que tenho que priorizá-lo?!? Vou dividir o peso com meu marido, afinal, ele é o pai.


Você chega em casa e encontra o marido estressado, nervoso e que te diz: "Meu terapeuta disse que preciso de mais espaço, mais tempo com meus amigos, que preciso de uma válvula de escape para desestressar. Querida, a partir de hoje vou cuidar um pouco mais de mim e, para isso, preciso impor alguns limites...".


Você olha para a situação toda, começa a se cobrar mais como mãe, tenta cuidar mais de você enquanto mulher e briga com o marido porque ele não assume alguns papéis que você não suporta. As brigas aumentam entre o casal porque cada um quer cuidar mais de si e menos do outro e, enquanto isso, tem o filho no meio precisando de mais atenção.


Ai, meu Deus! Não tenho somente 1 filho, tenho 2 que competem entre si e brigam pela minha atenção...


Terapia de casal, é disso que precisamos no momento para pararmos um pouco de brigar!


Primeira sessão e o terapeuta detecta que vocês precisam de mais tempo a sós. Façam uma viagem, passeios, saiam para jantar, vão ao cinema... Vocês precisam sair da rotina e ter mais tempo para vocês enquanto casal, sem problemas, sem filhos, sem estresse.


Aí você e seu marido olham um no olho do outro e dizem: "E agora, o que vamos fazer? Estamos estressados por falta de tempo para nós mesmos e ainda precisamos arrumar tempo, mais tempo, para os filhos e para nós enquanto casa?"


Esse é o cabo de guerra entre as psicólogas/terapeutas... Cada um puxa um melhor resultado para o seu lado e no final... há vencedores?


Erika Bastos Barbosa





#artigo #saúde

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© 2014 by Erika Bastos Barbosa